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junho 22, 2005

serviço mínimo: 'cadê os outros?'

Têm sido dias diferentes. A Sala dos Profs sempre nos vai animando as horas, agora que ficou transformada numa grande sala de espera. Por que esperamos, ninguém sabe. Ordem de cima.

O bom que isto tem é que vamos actualizando as vidas de quem nos passa ao lado. Nunca há tempo para mais do que um Bom dia, tudo bem? Sim, e contigo? Sim.Até logo!

Nestes dias temos tempo para conversar. Da greve, da profissão, das outras profissões. E ouve-se cada história! Se não estamos todos passados, eu vou ali já volto.

Como a da Camila, há dois anos a viver com um estafermo em casa. Violência conjugal, a sério. Estão em quartos separados, ela evita olhar para ele quando entra no espaço que, tinha planeado, seria o seu lugar de estar. Agora é ele que o ocupa, intocado e inútil.

Ele é um móvel, comprado numa loja de design, para levar os muitos livros da Camila. Mas há dois anos, que os livros continuam espalhados pela casa, pelo chão, em cima do guarda-fato, debaixo da cama, enquanto o móvel permanece de prateleiras vazias, à espera da decisão do juíz. E o seu 'lugar de estar' não existe, por incompatibilidade de feitios.

A Camila ficou desgostosa com o móvel que lhe levaram, meses depois da compra, sinal entregue. O dito-cujo abana. Abana???!!! . Ficou tão revoltada com o descaso da dona da loja de dizaine, que procurou justiça no tribunal. No Tribunal?!!!

Já foi o julgamento. E o juíz está há três meses para dar a sentença. Bolas, como vai lembrar-se de fazer justiça? Pobre Camila, estás feita! Agora vêm os 50 dias de férias do juíz, coitado.

Pior estou eu! conta a Anabela. Há oito anos foi o acidente da filha. Já houve três audiências; de 18 em 18 meses mais uma. Na última, em Dezembro, o juíz não tinha um relatório médico, sabe-se lá porquê. Adiou. Parece que é o costume, o que não deixa de ser inquietante.

E assim os professores continuam na sala de espera, requisitados para a eventualidade de serviços mínimos. Logo à noite vão ver os tratos de polé que a comunicação social vai dar à sua classe profissional.

Os que não prestam somos nós?! Cadê os outros?


Publicado por inesf às junho 22, 2005 04:00 PM

Comentários

essa é essa.. e o resto que se lixe...

Publicado por: carlos barros às junho 22, 2005 04:29 PM

Olha, já me explicaram, e o pior é que não entendi nada, que o facto de os tais magistrados terem mais férias do que qualquer funcionário público é mesmo para benefício dos tribunais. Parece que enquanto estão de férias é que aquilo avança... Entendes? Não percebi nada.
Eu, que devo ser burra que sei lá, já pensei que se calhar para avançar mesmo mais depressa deviam duplicar as férias. Para aí uns 4 ou 5 meses. Devia avançar que era uma beleza!
Para ser franca, entre os 3 dinosauros - Saúde, Ensino e Justiça - não sei por qual começar...

Publicado por: Emiéle às junho 22, 2005 07:12 PM

Eles bem explicam, explicam, mas devemos ser todos atrasados…

Publicado por: jgonçalves às junho 22, 2005 07:21 PM

Dizia-se que 'em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão'. É certo, certíssimo.

Emiéle, deve haver uma razão lógica que só não descortinamos porque alguém anda a 'baralhar' este jogo de cartas e só nos saem duques. Então a gente desatina a gozar uns com os outros - sempre se goza alguma coisa e rir é o melhor remédio. Então essa ideia dos 6 ou 7 meses de férias é genial. LOL!

Publicado por: Inês às junho 22, 2005 10:53 PM

Ó José, eu também preciso de umas 'aulas de recuperação' nestas matérias. Podíamos talvez tentar arranjar um blog-explicador.

Ou então levar o tema para o Forum do Afixe. Essa é que era boa!

Publicado por: Inês às junho 22, 2005 10:57 PM

Não creio que mais de que um mês de férias no Ensino ou na Justiça possa ser algo a manter para sempre... As prolongadas férias escolares provocam problemas sem fim aos pais que trabalham (e cuja produtividade se quer sempre a subir) e as imorais férias judiciais contribuem para a anómala morosidade da nossa Justiça.

Penso que a aplicação do modelo de "serviços mínimos" neste contexto foi exagerada (e sou pai não-professor), sendo a sua base legal muito frágil. Antes de o fazer o governo devia ter legislado nesta matéria para a clarificar. Mas tb discordo com a marcação de greve para períodos de exame: penso que isso retira muito apoio popular aos professores quando esse apoio seria determinante para fazerem vingar as suas reinvidicações que até são globalmente justas.

Publicado por: Rui Martins às junho 25, 2005 02:07 PM