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julho 12, 2005
Vi-te na televisão!
Cá me parece que na Escola se devia ensinar e praticar a oralidade. Poucas vezes se vai à oral, hoje em dia. É que há sempre alturas na vida em que alguém nos aponta um microfone e nos manda falar...
Vi-te na televisão! é uma frase que me arrepia num sorriso amarelo. Calhou. Toda a gente fugia de dar a cara no dia da greve - coitados dos jornalistas, queriam fazer o seu trabalho e os profs a cortar-se. E lá fui eu, aparecer na SIC!
Não tem nada a ver com os excessos dos jornalistas em matilha, à caça de declarações dos políticos de que fala a Emiéle. Talvez porque há alguns políticos que fomentam esses excessos, todos os outros estão condenados a passar pelo triste calvário.
A propósito da linguagem dos deputados do antigamente, recordo-me de ler no jornal O Século a transcrição de intervenções na Assembleia Nacional. Eram prosas longas, entrecortadas de apártes muito bem... muito bem. Improvisos bem falados, pudera, que os deputados eram oradores profissionais. E só havia um partido!
Ainda na Assembleia da República havia muitos deputados com o dom da palavra - Almeida Santos era um deles.
Agora ainda por lá existem, concerteza, só que... ficam calados. É o tempo do verbo fácil. Ninguém parece querer escutar, só ouvir. Para patear ou aplaudir não a intervenção, mas o partido do interventor. A palavra já não é de prata, nem o silêncio é de ouro!
Publicado por inesf às julho 12, 2005 12:11 AM
Comentários
Inês tem tanta graça, porque essa história da televisão é mesmo assim! Eu nunca pensei na força que aquela caixa tem, até realmente ter passado umas vezes por lá...Por um lado parece que passamos a ter mais importância, e por outro até dá ideia que as pessoas que "nos viram" também se sentem mais importantes por nos conhecer! E depois cada canal tem a sua audiência: se fomos vistos na 2, há um número X de gente que nos liga; se o programa fôr na 1, as chamadas multiplicam-se por 10!! Mas uns minutos de SIC, é a glória!
LOLOLOL
Mas quanto ao essencial do post, a verdade é que se nem toda a gente tem o dom de "falar bem", há uns profissionais e dos parlamentares espera-se um pouco de domínio nesse campo.
Por acaso quando falei no "antigamente" era ainda mais para trás, lá para a primeira república, onde os discursos eram excelentes.
Publicado por: Emiéle às julho 13, 2005 05:06 PM
Sim, claro que falavas dos tempos áureos do parlamento. Mas a tradição manteve-se até à chegada dos 'papagaios' falantes.
Émiele, 'montes' de pessoas, é verdade! Eu penso que se trata de um fenómeno de aproximação, do género 'alguém que eu vejo todos os dias, a televisão vê agora'. E depois vem a identificação, tipo 'entraste na minha casa e só agora te digo olá!'
Sabes que me faz lembrar as peças de teatro de quando eu era pequena. Ser figurante era ser importante, mas dizer 'minha senhora, está lá fora o inspector' era a glória. :)))))
Publicado por: Inês às julho 13, 2005 06:00 PM
Eu cá andava a leste e não vi nada... as manas gostam de fazer caixinha e nem querem mostrar-nos o seu protagonismo... tá mal, oh se tá :(
Publicado por: G. às julho 14, 2005 12:06 AM
mana, era suposto ser assim, insignificante.
Publicado por: Inês às julho 14, 2005 04:00 PM
