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novembro 23, 2005

as lágrimas do presidente

Dois terços das mulheres que encontro fazem questão de se confessar desiludidas. São profissionais. Sentem a insegurança da crise.
- Como é que se está a dar com a reforma? Em que ocupa o seu dia-a-dia?

- Como é que te sentes? O que fazes no dia-a-dia? Não tens saudades dos alunos?

Como se a reforma fosse uma doença, ou a negação do ser humano. Estou óptima. Não custa nada, pelo menos o princípio . Estou a gostar de ter tempo para fazer as coisas devagar.

Acho que ficam desarmadas como se perdessem o último pudor. Só eu nunca mais lá chego! diz baixinho a minha médica. Aos setenta, já viu?

Já. Já vi que não há projecto de vida que resista a este adiar. Enquanto os nossos filhos estão mal empregados, sem direito a um projecto de vida, a ajuda - não só material - continua a ser imperativa. Tirados os cursos custosos e agora inúteis. E os nossos pais sentem a solidão do tempo que nunca temos para eles, perdidos no tempo que se esgota, volátil. Só é triste quando paramos a pensar nisso. Quando nos é adiada a confiança, sine die!

Bem pode o Presidente urgir que se tome conta dos filhos e dos pais. Chora fácil, o Presidente! As mulheres engolem as suas próprias lágrimas, inúteis.


Publicado por inesf às novembro 23, 2005 09:55 AM

Comentários

Muitíssimo bem!!!!
Assinaria cada palavra que escreveste, Inês.
E a famosa reforma deve vir quando ainda tivermos saúde para a apreciar. E gosto por experimentar coisas diferentes. Ter tempo pode ser um luxo, mas acho que bem o merecemos depois de uma vida de corrida e stress permanente.
E como tão bem dizes, a raiva de ver os nossos filhos, depois de se terem esforçado e conseguirem um diploma com tanto incentivo nosso, continuarem a viver na nossa dependência e profundamente amargurados... Confiança, como dizes precisa-se, muita, e com urgência!

Publicado por: ml às novembro 23, 2005 01:52 PM

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