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dezembro 08, 2005
Albatroz 2006
O símbolo do prémio é o albatroz, uma ave capaz de voar centenas de horas e atravessar fronteiras. Um bom nome para um prémio literário internacional. O prémio é atribuído pela Fundação Günter Grass e tem como objectivo distinguir autores estrangeiros e os seus tradutores em língua alemã.«Sabemos imenso, o que não quer dizer que comprendemos o que sabemos. Para isso precisamos da literatura e especialmente da literatura que vem de outros lugares que não do nosso próprio país» , afirma Donate Fink, directora da fundação.
As traduções representam quase metade da literatura editada na Alemanha . O prémio Albatroz 2006 distingue a obra da escritora portuguesa Lídia Jorge e o trabalho da alemã Karin von Schweder-Schreiner, que é desde há anos tradutora de Lídia Jorge.
«A Lidia Jorge teve muita sorte na Alemanha. Todos os seus livros foram traduzidos pela mesma tradutora. »
"Albatros" für Portugiesin Lidia Jorge
Um dia perguntei a Lídia Jorge a razão do seu sucesso internacional. Contou que tinha a ver com as editoras e com os tradutores dos vários países. O profissionalismo dos alemães era tão a sério, que se deslocavam a Portugal para observar nos locais até as flores campestres que ela mencionava num livro.
Publicado por inesf às dezembro 8, 2005 12:12 AM
Comentários
Não dizem que proceso de Tradução é uma espécie de reinvenção da própria obra? Nesse aspecto, a tradução que Eça fez de Ridder Haggart no seu "As Minas do Rei Salomão" é um caso emblemático... Só li ainda a versão queirosiana, mas diz quem leu as duas, que a "nossa" tradução é muito superior ao próprio texto original... Por isso compreendo bem as palavras de Lidia Jorge.
Publicado por: Rui Martins às dezembro 9, 2005 10:45 AM
Muito interessante este teu post! Veio cruzar-se com uma reflexão que ia fazer hoje, de modo que veio mesmo a propósito!!!!
Um bom tradutor é precioso. E esse aspecto de ser a mesma pessoa a "especializar-se" em determinado autor só tem vantagens, ainda bem que a Lídia Jorge teve essa sorte.
Publicado por: ML às dezembro 9, 2005 03:11 PM
Pois, porque nisto de "países" há uns que são mais SÉRIOS que outros, não é? E depois, que chatice, tentar chegar o mais perto possível do fazer bem o que se faz.
Um @bração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado às dezembro 11, 2005 01:04 AM
Rui, é curiosa essa reinvenção.Como se o tradutor visse dentro da obra que traduz algo mais que o próprio autor.
Lídia Jorge disse também, a propósito de tradução, que o livro passa a ser do leitor a partir do momento em que o solta cá para fora. Ele ganha quase uma vida própria. Ela mesma, que não sabe alemão, surpreendia-se com o êxito dos seus livros na Alemanha. O "Jardim sem limites" tinha tido muito mais aceitação lá, do que aqui em Potugal. É curioso.
Publicado por: Inês às dezembro 11, 2005 03:47 PM
ML, é difícil traduzir, como dizem os comentadores do teu post. Uma coisa é certa: ao ler uma tradução não gostamos de encontrar as incertezas do tradutor, em notas que nos interrompem a linha da leitura. Elas são 'necessárias' aos puristas e aos técnicos.
Como tu, prefiro um português que se entenda. O tradutor deve conhecer muito bem a língua original da obra e dominar perfeitamente a língua de chegada.
Publicado por: Inês às dezembro 11, 2005 04:05 PM
ZecaTelhado, acho que é esse o segredo «fazer bem o que se faz». A 'tradução' em Portugal nem sempre é considerada uma arte, ou sequer uma actividade nobre. É bastante mal paga usualmente, o que lhe não dá dignidade.
Os alemães, honra lhes seja feita nesse campo, vêem a tradução com exigência. Já Martinho Lutero se marimbou na Bíblia oficial e a reescreveu a partir dos documentos originais, o que deu origem a um novo cristianismo, a Reforma.
Publicado por: Inês às dezembro 11, 2005 04:18 PM
