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abril 29, 2006
Pai, já sou ministro!
"A maioria dos políticos de hoje não têm o sentido da honra e do respeito pela vida pública que distinguia os seus antecessores. Vão para a política não para servir, mas para arranjar emprego. Precisam do salário porque ninguém mais lhes dá emprego. Ficam seduzidos pelo carro com motorista, a equipe de secretários, o círculo de conselheiros especiais, as atenções da BBC e o fascínio da celebridade. Coisas que teriam desagradado aos ministros de há 50 anos: agora são, para muitos, a atracção principal. "
Recortei daqui e verti para português.
Longe vai o tempo em que o Reino Unido (então Inglaterra, para nós) era um outro mundo. Antes daquele Abril escutávamos a BBC em segredo. Sim, era proibido ouvir a BBC!
A globalização nivelou tudo por baixo. Essa a grande desgraça! Quando entrámos no mundo que sonhávamos, o filme que queriamos ver estava a acabar...
Publicado por inesf às 06:41 PM | Comentários (2)
irresistível
Vi na televisão o vídeo-retrato dos portugueses no Canadá.
Encontrei-o no bicho carpinteiro. Não resisti a copiar!
Publicado por inesf às 12:31 AM | Comentários (4)
abril 27, 2006
tropeçar
Estou com dificuldades no meu blog. Como estou sem acesso ao Pópulo. Talvez o aeiou a aperfeiçoar o weblog.com.pt. Aquele blog faz parte das minhas 'tasquinhas'. Tem sempre tapinhas frescas e variadas, à vontade do freguês.
De resto estou a encontrar problemas dramáticos em toda a blogosfera. O belíssimo veleiro do Zeca da Nau não me consente a entrada a bordo - resultado: entro muda e saio calada. Qualquer dia rebento!
Publicado por inesf às 03:00 PM | Comentários (5)
abril 26, 2006
primeira aparição
Vi e ouvi o Presidente da República em directo na televisão. Não acreditava no que estava a ver e ouvir. Cavaco Silva mudou. Digno, sem tiques. O discurso impecável.
Pode um homem mudar tanto em tão curto tempo? Não na sua/nossa idade, se bem que a experiência de vida pode muito. Lima as arestas.
Just cunning*, em política quase tudo é aparência/teatro. Que custa ao erário público € milhões manter a côrte, vê-se pelas contas dos ingleses. Basta ler o Telegraph de ontem.
Esperemos pela 2ª aparição. Vou fazer o almoço.
Publicado por inesf às 10:46 AM | Comentários (4)
o peso dos cabelos na economia
Os partidos gastaram uma fortuna em maquilhagem
A guerra dos cabelos estalou no Parlamento de Westminster após a divulgação da quantia que o partido Trabalhista pagou ao cabeleireiro pessoal de Cherie Blair durante a campanha eleitoral do ano passado: 7.700 libras.
É que os Conservadores, por sua vez, só tiveram que pagar uma conta de 65 libras por uma ida ao cabeleireiro da mulher de Michael Howard no início da campanha de 4 semanas.
Feitas as contas o cabeleireiro pessoal da mulher de Tony Blair tratou-lhe do penteado ao preço de 275 libras por dia durante um mês.
do Telegraph
Afinal Sandra Howard, a mulher do líder Conservador, é uma ex-modelo e assim uma fortíssima rival para Cherie Blair. Mas agora os Trabalhistas estão furiosos com a cara metade do seu 1º Ministro.
Publicado por inesf às 12:05 AM | Comentários (2)
abril 25, 2006
32

Publicado por inesf às 12:21 AM | Comentários (5)
abril 24, 2006
faz 32 anos
O 25 de Abril
'Os acontecimentos deste dia revelam que o Movimento das Forças Armadas estava organizado e que era mais do que uma organização corporativista. Os miltares da Revolução preconizaram um momento da História Portuguesa, com milhares de outros protagonistas anónimos.
Situações impossíveis apenas 24 horas antes, marcaram os derradeiros momentos do Estado Novo. Imaginemos o Terreiro do Paço entre as 8 e as 11 da manhã, o Largo do Carmo ao meio-dia, e, mesmo, a tensão vivida na António Maria Cardoso durante toda a tarde.
Foi a Revolução dos Cravos.'
Publicado por inesf às 11:38 PM | Comentários (0)
Tríptico
Abril na Baixa de Faro. Esta tarde
Publicado por inesf às 06:50 PM | Comentários (3)
1973 emigrar
novos cadernos d. quixote 6
EMIGRAÇÃO - Problema multinacional
Se outras razões mais largas não houvesse para justificar a publicação deste Caderno e o interesse por este tema, cremos que para nós, portugueses, uma apenas bastaria: só para França deslocou-se mais de meio milhão de trabalhadores portugueses.
No que se refere às «causas desta emigração», a quase totalidade das pessoas interrogadas afirmaram que não teriam emigrado se tivessem podido obter, no seu país, condições económicas mais favoráveis. Referiam-se principalmente a «salários de miséria»: "na nossa terra era a fome, aqui trabalhamos muito mas ganhamos dinheiro. "
"Em Portugal ganhava 27$00 por dia, numa fábrica: aqui eu e a minha mulher, trabalhando muitas horas forramos quase dez contos por mês; já vê"
"Quem me dera viver em Portugal, mas lá não tinha com quê".
Mas se as razões de natureza económica se afirmam como predominantes isso não significa que possa atribuir-se aos problemas económicos a causalidade única e exclusiva deste fenómeno extremamente complexo que é a emigração. De facto outros problemas muito diferentes (entre os quais parecem salientar-se alguns de carácter militar e político) são apontados com relativa frequência, sobretudo entre as camadas jovens, como origem principal da decisão de emigrar.
in O emigrante português em França - condições de habitação e trabalho, por António Teixeira de Sousa, Lisboa, Janeiro de 1973
Publicado por inesf às 10:03 AM | Comentários (0)
abril 23, 2006
1939 concurso
Suponho que a suspeição levantada contra mim depois que prestei as provas não deve ter sido alheia a um artigo aparecido no D.º da Manhã, sob assinatura, em que se insinuava que na lição de concurso eu revelara sentimentos anti-nacionais.
Estou certo de que V. Ex.ª não consentirá que um homem nestas condições fique sem pão e sem verdadeiro fôro de português.
Carta a Oliveira Salazar, 1939.
Por Vitorino Nemésio
Publicado por inesf às 12:34 AM | Comentários (3)
abril 22, 2006
1954 passaporte...
depois de demitido de professor catedrático pela actual situação política, reclama junto de V. Exa, nos termos nº 18 do Artigo 8º da Constituição Política, lhe seja concedido passaporte por maneira a poder participar efectivamente no Congresso Internacional de Matemática.
Porto, 26 de Junho de 1954 a) Ruy Luís Gomes
Publicado por inesf às 11:09 PM | Comentários (0)
1959 contra o silêncio
«Indícios diversos e persistentes parecem indicar que os serviços de repressão do regime admitem e empregam métodos que uma consciência humana bem formada não pode tolerar e um espírito cristão tem necessàriamente de repudiar.
Durante muito tempo foi possível manter uma grande parte da Nação no desconhecimento destes processos por uma censura extraordinàriamente apertada, por uma propaganda adequada, e também, possivelmente, pela eficácia dos processos de repressão, que forçava ao silêncio as próprias vítimas ou as testemunhas.
No entanto a acumulação e a generalização dos rumores, alguns depoimentos públicos, o aparecimento à luz do dia e em plena rua de métodos de repressão, durante o último período eleitoral, tudo contribuiu para alertar a opinião pública e convencer uma grande parte do povo português de que algo muito grave se está a passar.»
in Carta a Salazar sobre os serviços de repressão do regime , 1 de Março 1959, assinada por 45 católicos. Entre eles estavam Alçada Baptista, Francisco Sousa Tavares, Gonçalo Ribeiro Telles, João Benard da Costa, Nuno Teotónio Pereira, Sophia de Mello Breyner Andresen.
Publicado por inesf às 10:15 PM | Comentários (1)
1959 consciências
«Senhor Professor Doutor Oliveira Salazar
Os signatários julgam interpretar o sentir de um largo sector da opinião pública e de um autêntico espírito cristão ao porem a V. Ex.ª um problema de consciência.
O que expuseram é suficientemente grave e a doutrina que invocaram suficientemente clara para que, a V. Ex.ª e a si próprios, já não seja legítimo um silêncio prudente ou um pretenso realismo político.
Não invocam quaisquer prerrogativas pessoais - que não têm; mas em nome dos princípios cristãos a que, como católicos, V. Ex.ª e eles próprios aderem acima de tudo, julgam dever da sua consciência exigir um esclarecimento amplo, total e definitivo às questões que levantaram.
Fazem-no sabendo que V. Ex.ª como político deverá um dia responder perante a História; e, sobretudo como homem e cristão, terá de ser julgado por Deus.
Se outros católicos, e também V. Ex.ª, julgarem que os signatários abusam dos seus direitos de simples católicos, resta-lhes a esperança de terem procedido de acordo com as exigências da sua consciência, da mesma forma que eventualmente V. Ex.ª o fará também. E só Deus julgará a todos.
Os signatários esperam de V. Ex.ª os referidos esclarecimentos e providências, para tranquilidade das suas consciências de cidadãos cristãos e satisfação da opinião pública.
1 de Março de 1959»
Publicado por inesf às 06:02 PM | Comentários (0)
Sophia
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Publicado por inesf às 01:03 AM | Comentários (2)
abril 21, 2006
fácil!
Doeram-me os pés de palmilhar as ruas de Faro a entrar nas livrarias. Felizmente há luar!, deLuís de Sttau Monteiro, não existe. Ou antes, existe a retalho. Existem edições para os estudantes do 12º ano, com as explicações necessárias ao entendimento da obra, à sua análise literária. Essenciais, diga-se de passagem.
O que está em causa é a impossibilidade de encontrar Felizmente há luar! nas cinco livrarias da baixa.
Mas felizmente há livrarias on-line e foi na Bertrand que anteontem ao serão comprei o livro. O carteiro entregou-mo esta manhã. Fácil, fácil!
[Filipa comentou no site: Como livro obrigatório no programa do 12º em português, li-o e adorei. Este livro apela à coragem e determinação de defender os nossos argumentos e direitos. Gostei das personagens Gomes Freire D´Andrade (embora ausente na história) e Matilde de Melo mas principlamente do sentimento que os unia. ]
Publicado por inesf às 03:18 PM | Comentários (4)
abril 20, 2006
Pópulo
O excelente trabalho que a Emiéle vem fazendo ao longo deste Abril tornou-se num case study sociológico.
Passadas três décadas sobre um acontecimento fundamental na vida do país, esse acontecimento parece morto e enterrado. Não é entendível para os mais jovens e parece não fazer já sentido para os mais velhos.
Hoje vivemos a era global, já não estamos limitados ao nosso pequeno Portugal. Somos mais um país deste mundo sufocado de problemas.
Daqui a 30 anos ninguém lembrará a Guerra do Iraque, o 11 de Setembro, os suicidas Palestinianos. Por mais que estes acontecimentos encham os écrans da TV à hora da refeição como sobremesa amarga.
Hoje ninguém recorda os 14 anos da Guerra Colonial - o nosso Vietnam, o nosso Iraque - senão aqueles que os viveram, os milhares cuja vida foi afectada para sempre. E mesmo esses querem é esquecer. Os que podem.
- Professora, não preciso de estudar porque vou ser carne para canhão!
- Precisas sim! Se estudares serás soldado miliciano e terás mais hipótese de sobreviver.
Que mais havia para confortar os adolescentes de então? Nada! Ninguém sabia o que lhes dizer.
Os jovens de então, os pais, os professores, os amigos, as namoradas, os parentes próximos, encheram as ruas, abraçaram os soldados. Amaram o MFA e respiraram de alívio.
Viva o 25 de Abril!
Publicado por inesf às 10:17 AM | Comentários (6)
abril 18, 2006
é chegado o dia
do medo acabar.
Publicado por inesf às 11:33 PM | Comentários (0)
do outro lado do mar
Menina dos olhos tristes,
O que tanto a faz chorar?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Senhora de olhos cansados,
Porque a fatiga o tear?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Vamos, senhor pensativo,
Olhe o cachimbo a apagar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Anda bem triste um amigo,
Uma carta o fez chorar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
A Lua, que é viajante,
É que nos pode informar
- O soldadinho já volta
Do outro lado do mar.
O soldadinho já volta,
Está quase mesmo a chegar.
Vem numa caixa de pinho.
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar.
Música: Zeca Afonso
Letra: Reinaldo Ferreira
Publicado por inesf às 10:35 AM | Comentários (0)
quando fui parar ao caixote do lixo!
(este post é uma extensão ao comentário no Sopro)
Não tem a ver nada com nada e parece coisa da twilight zone ser-se primeira página do PÚBLICO... quando o jornal ainda não existia!
foto e pormenor 
2 de Março de 95, telefona o Tó Gomes: Estava a forrar o caixote do lixo com o jornal e reparei que eram vocês. Tá um bocado amarrotado. É melhor comprarem um novo.
Comprámos e guardámos para a nossa história : em 1974 , ano de Abril, éramos assim. Ficámos arquivados num sítio qualquer até nos irem buscar. Vinte anos depois. Congelados no tempo.
E o erro do PÚBLICO aqui: a legenda refere a faculdade de Direito, mas não é. É Letras. Tá ali o Dom Quixote
Publicado por inesf às 10:35 AM | Comentários (4)
abril 17, 2006
'a menina dança?'
(um post a pensar com o coração)
A pergunta que me fazem mais vezes, diz a actriz de 19 anos, é: Como podes dançar se és surda?
É uma pergunta irritante, porque implica que não se pode dançar bem sem ser com base na música - o que é completamente falso! Uma pessoa surda pode ter o ritmo dentro de si - às vezes até melhor que um ouvinte - e quem dança não tem que forçosamente seguir a música, pode ser exactamente ao contrário.
(Tradução livre)
Publicado por inesf às 10:36 AM | Comentários (3)
abril 16, 2006
lá fora
naturalmente a vida renasce.
Publicado por inesf às 06:37 PM | Comentários (1)
abril 14, 2006
Mater dolorosa
O Sofrimento com rosto!
Publicado por inesf às 06:02 PM | Comentários (4)
L'enfer
"It has many big subjects of our times," he says. "I think we live in terrible times. We lost the spiritual dimension of our lives; the world is messed up. We live in such an egoistic society. Nobody gives anything any more. The Spanish Civil War would be finished in two weeks today, because nobody would go to defend Spain - that's what our world has become. It's almost impossible to love and be loved in this world."
The film is about three sisters, played by Emmanuelle Béart, Karin Viard and Marie Gillain. They are beautiful, bright and comfortably off, but they all suffer in love, and in their family relationships. Their existences are fragmented; each one is alone and unhappy.
Publicado por inesf às 05:30 PM | Comentários (1)
«Desafio solidário»
Aceito o testemunho do Zeca com alguma dificuldade. São muitas as Organizações conhecidas, muitas mais as que desconheço e que serão até mais eficientes, mais puras, mais meritórias do que as primeiras.
Escolho o Refúgio Aboím Ascenção, aqui em Faro. Acolhe bébes e crianças sem pais, temporaria ou definitivamente, até que as suas famílias tenham condições para as receber de volta. A mãe que ficou internada no hospital, os pais que foram presos. A criança encontrada no lixo, a outra abandonada na estação rodoviária e mais...
Publicado por inesf às 12:17 PM | Comentários (1)
abril 13, 2006
azelhice
O cardeal norte-americano Francis Stafford esclareceu, esta quinta-feira, que as suas referências ao excesso de consumo de jornais, internet e televisão não devem ser interpretadas como caracterizadoras de "novos pecados", conforme foi noticiado pela agência Ecclesia.
O responsável da TV Net, André Rodrigues, indicou à Agência Lusa que James Stafford se revelou "surpreendido" pela interpretação que as suas palavras tiveram na comunicação social em Portugal.
Fonte Jornal de Notícias
Publicado por inesf às 10:49 PM | Comentários (0)
abril 12, 2006
transcrição fonética - a linguagem sonora
Ai pledch aliyens to di fleg
Of d Yunaited Esteits of America
An tu di republic for wich it estands
Uan naishion, ander Gad
Indivisibol
Wit liberti an yostis
For oll.
«Juraram obedecer à Constituição Americana, lendo uma folha amarela impressa em inglês e numa escrita fonética - a ajudar os que falavam espanhol a pronunciar as palavras pouco familiares. E havia nesta versão - com o seu estranho desejo não eloquente - qualquer coisa que fazia lágrimas nos olhos.»
Versão livre, fonte: NY Times
O efeito fonético resulta se ler o escrito em voz alta, tentando ouvir a sua voz.
Publicado por inesf às 04:05 PM | Comentários (0)
o poder ao povo
Segundo o Editorial do NY Times de hoje «Os imigrantes, ao integrar-se em massa nas imensas marchas em Los Angeles e Chicago neste último mês, conseguiram um resultado fantástico para a acção política de massas, ainda que muitos deles ali estejam ilegais e não tenham direito de voto. As manifestações, quer nos inspirem quer nos irritem, são impossíveis de ignorar.»
Publicado por inesf às 03:50 PM | Comentários (1)
abril 10, 2006
estrela
Quantas pontas tem uma estrela? Quantas pétalas um amor-perfeito? Quantos sentidos tem o ser humano?
Aguarela leva-me a uma estrela de quatro pontas de brilho intenso. Estrela Polar a dar-nos o Norte.
Somos minoritários, estamos no mundo dos ouvintes… E os ouvintes sabem muito pouco sobre a vida dos surdos. É uma pena que não haja mais informação sobre nós, os surdos.
Informação cinco estrelas. Um gelado de sabor familiar, sem corantes nem conservantes. Vai uma dentadinha?! Deste lado.
Não consigo definir o sabor da imagem do Setestrelo: que dizem as SETE mãos?!
Publicado por inesf às 10:09 AM | Comentários (0)
abril 07, 2006
sorrir
Publicado por inesf às 06:34 PM | Comentários (3)
janela

O edifício da antiga Escola de Hotelaria e Turismo está a ser recuperado. Que bom!
Publicado por inesf às 10:30 AM | Comentários (6)
abril 06, 2006
o buraco suspenso
«Mais tarde, um outro director alterou em muito as instalações [da prisão] e conseguimos obter a autorização para a leitura de jornais. Um jornal de Luanda e um jornal de Lisboa, mas que não entravam para a caserna. Uma pessoa lia o jornal numa sala, que eles chamavam biblioteca, e depois contava aos outros.
Mesmo assim isso foi depois eliminado, acabou. Ficámos reduzidos à 'Bola' e ao jornal do Centro de Turismo de Cabo Verde, uma folhinha que mesmo assim ainda levava cortes. Certa vez recebemo-lo com um buraco na primeira página. Ficámos espantados. Tinham cortado umas sete ou oito linhas de uma "conversa em família" do Marcelo Caetano, nem esse escapava ao director.
Sobre 'A Bola' também recebemos uma ameaça: "bem, enfim, vocês continuam a receber 'A Bola' mas se 'A Bola' continua a ocupar-se de política, será suspenso. A política era afinal uma crónica que começava por estas palavras: "No momento em que o Benfica defronta o Trieste, o presidente Nixon aperta a mão de Mao Tsé Tung, em Pequim." Considerou o director que isto era informação política e que se assim continuasse teria de nos cortar A Bola»
Luandino Vieira à Vida Mundial, 3/10/74
Publicado por inesf às 10:26 PM | Comentários (1)
abril 05, 2006
a carta
«Tivemos várias fases no Tarrafal. Quando chegámos tinhamos um regime que era muito livre fisicamente e muito mais apertado psicologicamente. Nesse tempo nem o jornal A Bola entrava, não tinha qualquer espécie de jornais e os livros eram só os de estudo do primeiro ou segundo ciclos que cada um frequentasse. Um isolamento completo.
A correspondência, está claro, era toda censurada. O chefe dos guardas chegava ao requinte de cortar a palavra «beijos», quando imaginava que era uma sigla, isso soube-se porque uma das cartas enviadas foi devolvida ao remetente. Como tinha saído e sido censurada eles entregaram-na novamente sem abrir. Foi aí que o preso pode ver que tipo de censura era feita à sua carta.
Esse chefe de guarda era um sádico: jogava exactamente nesse carácter da tortura psicológica. Nós sabiamos que quando chegava o correio as cartas eram carimbadas com o carimbo de censurado. Portanto quando ouviamos no gabinete dele o carimbo a bater, sabiamos que havia correio.
Ora, se de manhã se batia com o carimbo, nós ficávamos todo o dia na expectativa de receber uma carta da família. Por vezes era ele que batia o carimbo num jornal velho, de propósito, para nos fazer estar o dia inteiro a sofrer.
Às vezes levava o requinte a outro tipo: nós víamos as cartas, ele mandava-nos chamar por qualquer motivo ao gabinete, viamos a carta que era para nós em cima da secretária, que ele punha à vista, nós saíamos e cada vez que ele aparecia à porta do gabinete pensávamos: é agora, é agora. E quando já estávamos na caserna ele abria a portinhola e dizia: fulano de tal; e, claro, a pessoa corria logo para receber a carta. Aí ele dizia: a senhora fulana de tal é sua esposa? Muito obrigado, é para fazer o registo. Tornava a fechar e ia-se embora com a carta. »
Luandino Vieira, 39 anos [em 74], nasceu ao pé de Fátima, e foi entrevistado na Vida Mundial de 3 de Outubro do Ano da Liberdade. Dessa entrevista recortei este excerto. Contra o esquecimento.

Publicado por inesf às 09:31 AM | Comentários (2)
abril 02, 2006
A gralha DN-domingo
A gralha DN parece um vírus que ataca os meus olhos assim que começo a leitura. O Luís aconselhou Não deixes de ver este caderno.
Interessante e extremamente útil, este é para guardar! ups! escorrego na página 4 do especial De Portucale a Portugal: Dona Maria Primeira governou de 1139 a 1185. E era filha de Dom José, que reinou de 1750 a 1777 (??!!)
Publicado por inesf às 06:31 PM | Comentários (3)
o antes do 25 de Abril
Quando deixamos a vida activa, o tempo é privilégio que compensa as falhas da idade. Remexo revistas, visito os meus velhos livros ou olho da janela coisas que só com tempo... Escuto doutros medos destes acelerados tempos modernos, sem tempo de respirar. Será a felicidade coisa impossível, somos nós capazes de a reconhecer quando caminha ao nosso lado? Miguel, São, Virgínia, Rui, vocês são demasiado jovens para desejar acreditar na reforma.
Quando eu guardava coisas para ler com mais vagar, não imaginava quão rápido passam 40 anos... O artigo de Dulce Rebelo, A condição feminina e seus problemas não envelheceu nem uma ruga!
Do artigo de 11 páginas publicadas na Vértice em Junho de 67, recorto um pedacinho por ter a ver com a sustentação legal da realidade irreal do antes do 25 de Abril. É que estou em sintonia com a minha amiga Emiéle... Antes da Constituição de 1975 a mulher portuguesa estava dependente do marido:
«O interesse despertado [em 1967] pelo projecto do novo Código Civil português levou à discussão de certos pontos relacionados com a mulher, sendo o tema A Mulher e a Família tratado com muito acerto, objectividade e conhecimento pela Drª Elina Guimarães em vários artigos do «Diário de Lisboa».
A ilustre jurista chama a atenção para certos passos relativos à constituição da família , onde o lugar da mulher não é preponderante.
Assim diz-nos Elina Guimarães que a declaração do artigo 39º da Lei da Família de que o casamento é baseado na igualdade foi omitida no novo projecto, contràriamente ao que se passa lá fora.
Também em caso de desentendimento entre os cônjuges, a mulher não pode recusar-se a acompanhar o marido ao estrangeiro (o que lhe fora concedido pelo Código de 1867) e o marido continua a poder exigir a entrega judicial da mulher, disposição que foi restabelecida pelo Código de Processo Civil de 1939, mantida no de 1961 e neste projecto, o que despertou o protesto de vários juristas.
Por outro lado, a Concordata de 1940, que tornava indissolúveis os casamentos celebrados canònicamente, esclarece a Drª Elina Guimarães, criou uma situação presentemente agravada, pois pelo novo código qualquer pessoa abandonada tem de aguardar 3 anos (parte final do artigo 1.778º) antes de se separar e mais 5 para transformar a separação em divórcio. O divórcio por mútuo consentimento deixa de existir. A separação por mútuo consentimento só é possível a pessoas casadas há mais de 5 anos, mas o divórcio só será concedido ao fim de mais 5 anos.»
in Vértice, Revista de cultura e arte, Julho 1967
Vale a pena seguir os links Elina Guimarães
Publicado por inesf às 12:47 PM | Comentários (2)
abril 01, 2006
reciclagem

Secaram as laranjeiras e plantaram-se ...
... favas...
... e salsa
e até os passarinhos aproveitaram...

Publicado por inesf às 07:27 PM | Comentários (5)
abrir Abril

Publicado por inesf às 01:16 PM | Comentários (3)