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abril 20, 2006

Pópulo

O excelente trabalho que a Emiéle vem fazendo ao longo deste Abril tornou-se num case study sociológico.

Passadas três décadas sobre um acontecimento fundamental na vida do país, esse acontecimento parece morto e enterrado. Não é entendível para os mais jovens e parece não fazer já sentido para os mais velhos.

Hoje vivemos a era global, já não estamos limitados ao nosso pequeno Portugal. Somos mais um país deste mundo sufocado de problemas.

Daqui a 30 anos ninguém lembrará a Guerra do Iraque, o 11 de Setembro, os suicidas Palestinianos. Por mais que estes acontecimentos encham os écrans da TV à hora da refeição como sobremesa amarga.

Hoje ninguém recorda os 14 anos da Guerra Colonial - o nosso Vietnam, o nosso Iraque - senão aqueles que os viveram, os milhares cuja vida foi afectada para sempre. E mesmo esses querem é esquecer. Os que podem.

- Professora, não preciso de estudar porque vou ser carne para canhão!
- Precisas sim! Se estudares serás soldado miliciano e terás mais hipótese de sobreviver.

Que mais havia para confortar os adolescentes de então? Nada! Ninguém sabia o que lhes dizer.

Os jovens de então, os pais, os professores, os amigos, as namoradas, os parentes próximos, encheram as ruas, abraçaram os soldados. Amaram o MFA e respiraram de alívio.

Viva o 25 de Abril!

Publicado por inesf às abril 20, 2006 10:17 AM

Comentários

SEMPRE

Publicado por: teresa frazão às abril 20, 2006 12:36 PM

Excelente texto minha amiga, era assim mesmo.

Um @bração do
Zeca da Nau

Publicado por: Zeca da Nau às abril 20, 2006 05:30 PM

E na euforia da liberdade, acabaram por tropeçar nos próprios pés, caíram e a custo se ergueram, alguns.
Mas vive sempre na mente oprimida, o não à opressão….

Publicado por: jgonçalves às abril 20, 2006 10:58 PM

Um Grande abraço Inês. Que bom é ler isto!
Tinha aquela ideia desde há uns tempos exactamente pelo motivo que ‘adivinhaste’: fazia-me muita impressão ver a malta que nasceu depois de Abril falar com um ar tão longínquo de coisas ainda tão perto de nós. Eu sei que se calhar também falo assim do de José de Almeida ou do Afonso Costa, mas apesar de tudo estão um pouco mais longe de mim do que o MFA está destes jovens. Afinal foram coexistentes no mesmo espaço! E por outro lado, coisinhas da vida corrente, hoje tão banais e que foram quase ‘conquistas’ difíceis. Repara no espanto que mostraram quando falei na Concordata e no problema dos filhos ilegítimos. Claro que tenho também tido um ou outro comentário de quem acha que não há grande diferença e hoje está tudo como dantes. Choca-me que se continue a pensar assim, e que se diga a frase 2precisava-se era de outro Salazar”. Sei que não sabem o que estão a dizer, mas mesmo assim arrepia-me que se diga!
Fascismo Nunca Mais!

Publicado por: Emiéle às abril 21, 2006 09:23 PM

Tens sido persistente, Emiéle, e o teu objectivo está a ser inteiramente cumprido. Parabéns por isso!
E ainda que pareça que as pessoas hoje não entendam inteiramente aquilo que foi conquistado, arrancado a ferros, pelo menos ficam com uma luzinha.

Cada época tem as suas dificuldades. Actualmente existem tantas, que se diz fazer falta outro 25 de Abril! E é verdade. Mas não é por isso que temos que sufocar dentro de nós a memória daqueles dias em que o nosso mundo mudou, porque nos devolveram a dignidade. Como escreveu a Sophia o 'dia inicial'

Publicado por: Inês às abril 22, 2006 12:56 AM

A grande diferença é dizer-se «faz falta outro 25 de Abril» ou dizer-se « o que faz falta é um Salazar». No primeiro caso é a frustração do sonho não realizado, e uma visão progressista, enquanto no outro, para além do azedume há uma ideia muito distorcida do que foi o "salazarismo", e deseja-se uma ditadura. isso já me preocupa, enquanto entendo muito bem o primeiro desabafo.

Publicado por: Emiéle às abril 22, 2006 08:31 PM

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Recordar-me?