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maio 30, 2006
carta sem sê-lo
Caro Alfredo,
é para lhe dizer que na minha caixa do correio encontrei um aviso de entrega de correio registado para si. Diz: o aviso foi emitido devido a X não atendeu. Remetido por Tribunal . Como o Alfredo já não mora aqui há quase dois anos, não pode ir levantar a carta à Estação dos Correios do Carmo. Equandose ler este postal, o prazo de levantamento pode ter terminado, que é até ao 6º dia útil, com assinatura reconhecida em presença do Bilhete de Identidade. Maria
Tá bem, dona Maria, eu ponho na internet. Só acho que não vale a pena preocupar-se tanto com isso do Alfredo e do tribunal!
Penso com os meus botões que, assim como assim, não faz diferença mais um atraso para os tribunais. Eles são tão pouco eficientes... não surpreende que convoquem testemunhas para endereços antigos, que as pessoas já pouco fielmente relembrem instantes de há dois, há quatro, há nove anos...
O meu encontro ao vivo com a solenidade do tribunal espectáculo foi tipo curso rápido. O Senhor Doutor Juíz - a senhora que comanda o cerimonial ordenou que assim me dirigisse sempre ao meretíssimo (superlativo absoluto do mérito) - é um ser humano. Isso entendi. O resto é praxis (que é latim e significa maneira de proceder; prática) . Não é para levar assim muito a sério, mas eu geneticamente levo tudo a sério... conclusão: ficou-me tatuada na memória uma triste sensação de impotência e desamparo na Sala de Julgamento.
Foi aí que aprendi a não estimar os fazedores da Justiça. Nem eles - a sério - poderão levar-se a sério! Falta-lhes não se conformarem com as limitações que lhe impõem. Falta-lhes o querer ser respeitados e olhados como exemplos de honestidade e responsabilidade. Integridade. Decerto alguns, muitos, até concordam com isso.
Publicado por inesf às maio 30, 2006 02:34 PM
Comentários
Mas olha que quando lhes dá para a pressa até se despacham. Eu deixei lá no Pópulo um post a estranhar o caso de uma senhora que não pagou um parquímetro (crime horrendo, como é fácil de ver!) e dois anos depois recebeu uma ordem para, por causa dessa multa que ela desconhecia, pagar cerca de 60 contos ( !!!!) e... cinco meses depois tinha o ordenado, o carro e várias coisas da casa penhoradas!!!
Livra!
Publicado por: Emiéle às maio 30, 2006 09:51 PM
Os fazedores de justiça têm essa graça peculiar de sobranceria, face ao “desgraçado” que lhes é colocado à frente na solenidade de um tribunal.
Publicado por: jgonçalves às maio 30, 2006 10:40 PM
São demasiado 'teatrais' quando demonstram o poder que têm sobre o zé-ninguém ali à sua frente, um inferior, apenas um 'figurante' de cena.
O fazedor de justiça que já nem ouve as 'deixas', é um fala-só. Inquietante.
Publicado por: Inês às maio 31, 2006 03:09 PM
Há dez anos que recebo ordens do tribunal, avisos de cartas registada, até já me colaram um papel na porta da rua (!) para apresentação em tribunal. Tudo dedicado ao antigo dono da minha casa. Já telefonei não sei quantas vezes, perguntei o que fazia aos quilos de papéis, que os devolvesse ao tribunal, e os senhores pagam o porte? Não, isso não...no caso do papel colado na porta que é sempre uma coisa simpática para mostrar aos vizinhos que não vão lá ler se é para mim ou não, telefonei a perguntar se não era melhor enviar uma cópia da escritura com uma cartinha de explicação para o processo, antes que me aparecesse um fiscal a penhorar bens à conta de dívidas do antigo dono, resposta deles: não vale a pena, é só mais um papel a encher o processo. Se lá forem, a senhora mostre a sua escritura...é um país de palhaços!
Publicado por: catarina às junho 1, 2006 11:34 AM
É mesmo, Catarina, um país de palhaços pobres.
Então DEZ anos! E aposto que o antigo dono tem o nome, a morada actual e tudo o mais em qualquer base de dados das Finanças, por exemplo, ou da polícia, ou da lista telefónica nacional.
Mas imagino que há um processo pendente no dito tribunal há DEZ anos, por falta de massa cinzenta dentro das cabecinhas 'louras' dos funcionários...
Publicado por: Inês às junho 1, 2006 02:50 PM
__ Só os "vigaristas", caloteiros e demais "clientes" dos tribunais é que se queixam.
Mias ainda: são analfabetos - escrevem latinices - praxis e não sabem que Juiz não levam acento agudo e Meritíssimo é que está bem ortografado.
Pergunta-se aos criminosos? Já foram a um tribunal inglês? (Com perucas) - já foram a um tribunal francês (crevettes au cou)
- Lambam-se: o papel na parede ou na porta é "uma citação ou notificação com hora certa" para os BANDIDOS E BANDIDAS QUE NUNCA ESTÃO EM CASA. Normalmente estão na "dança do Varão".
Publicado por: diosleguarde às dezembro 13, 2006 02:43 PM
