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junho 04, 2006
in.di.Gestão
a evidência dos cortes no pessoal é ali escandalosa. Ao sábado, domingo e feriados não há quem preste os serviços essenciais. Um exemplo de racionalização da gestão que é justificada com o aperto financeiro.
Ontem os internados amontoavam-se numa sala - só havia uma vigilante! A Elisa sorriu e eu: então essas pernas? E ela num esforço doloroso ergueu os dois pés, cerca de 5 centímetros fora das patas da cadeira de rodas. Qual Rosa Mota a treinar a maratona. Ainda havemos de ir dançar no Santo António... Respondeu desejosa a alentejana dançar não digo, mas cantar...
Máxima tresandava e não sabia. Porque não tinha feito, ela sabia que não tinha feito!
Os restos de dignidade vão-se quando um filho nos apanha em flagrante mentira. Exigiu ver a fralda, a prova em que não acreditava. Máxima escondeu o rosto no armário que é o seu mundo. Todo o tempo. À procura de si mesma .. ou só dos óculos...
Estava desde a noite anterior entregue a si mesma. Os serviços mínimos...
Publicado por inesf às junho 4, 2006 11:05 AM
Comentários
Tu pedes "sim, diga..." mas nem sei que dizer! Um nó na garganta que não vai para baixo. Inês, como é possível?! E fala-se em "esperança de vida", que ela aumentou, e mais umas tretas. Que ironia chamar-se "esperança de vida" a uma vida sem a dignidade a que tem direito. E quando começamos a tratar os pais como se fossem nossos filhos, que angústia, Inês, que sofrimento para todos.
Publicado por: Emiéle às junho 4, 2006 04:41 PM
Obrigada, carinhosa Emiéle. Tratar dos pais é o futuro de muitos filhos. No caso da minha mãe até tenho muita sorte, porque ela é um amor, sempre bem disposta naquele seu reino.
A dor é o desinvestimento galopante que reduz o número dos cuidadores... Eu cuido da minha, não me queixo e fico até contente. Elas sabem, as funcionárias, que alguém virá ver Máxima "a privilegiada" ...
Publicado por: Inês às junho 4, 2006 07:29 PM
Também tive a minha numa "casa dessas" Inês. Sei que não podia deixar de ser (alzheimer) mas apesar de passar por lá todos os dias, e pagar uma brutalidade, sempre tive remorsos. Que raio de vida, não podermos dar tudo o que gostaríamos a quem gostamos tanto...
(e essa estupidez da fralda muitas vezes é só para poupar trabalho de acompanhar o velhinho à casa de banho; eu confirmei isso, pessoas que não eram incontinentes às tantas já o eram pelo uso da fralda)
Publicado por: Emiéle às junho 5, 2006 09:46 PM
Compreendes bem: remorso cada minuto do dia. De noite pesadelo. A gente faz tudo, tudo o que pode, e é nada. Como quem tenta encher um buraco na areia da praia com um baldinho de água do mar.
Publicado por: Inês às junho 5, 2006 11:17 PM
