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junho 08, 2006

escola a arder

Ano após ano as escolas ardem num incêndio terrível que destrói as já poucas motivações dos professores. Reformada, estou de fora. Vejo arder e revejo o filme de cada fogo que consumiu mais uns hectares do meu coração: a calma dos que pensam que não vale a pena lutar, a raiva dos que activamente resistem e esclarecem. O desespero e a impotência de todos. Os olhos a chorar do fumo, o rumo incerto...
Não queria estar na Sala dos Professores por estes dias! Mas o meu coração está!

Ouvi a Ministra da Educação e pressinto que pela primeira vez em décadas alguém tem verdadeira vontade de dar a mão aos professores. Dignidade ao corpo docente de cada escola. Para que cada professor não tenha que carregar sozinho o fardo diário dos inúteis penosos pesados acessórios.

O grande incêndio anual não deixa, lá por isso, de lavrar. Há a tradição de promessas não cumpridas, de sonhos nunca realizados. Há os interesses que manobram o fogo e dele esperam alimentar-se. Ardem as copas das árvores pegadas umas às outras. Não, não é impossível calcular os estragos.

Os professores passam pelo horror do costume! O meu coração está com eles, para sempre.

Publicado por inesf às junho 8, 2006 09:27 AM

Comentários

A Sala dos Professores está a arder desde 2ª. Em 16 anos, nunca tal tinha visto. Há colegas habitualmente recatad@s que decidem levar a luta para a frente e tornam-se revolucionários, quais Che dos nossos dias... Há outr@s que admitem ter chegado a casa após as reuniões de ontem e só terem vontade de chorar... Há @s que procuram activamente na net sites de recrutamento de professores noutros países UE... @s que confessam nunca terem feito uma greve na vida, mas "desta é que é!"...
Infelizmente, poucas são as escolas que fizeram reuniões para elaborar parecer sobre as 55 páginas de absurdos. Nós lemos, analisámos cada ponto e fizemos relatórios... Que não vão servir para nada, afirmam @s mais desesperad@s. Já não acreditam na "democracia" de um governo socialista. E vêm adiados desejos de maternidade... não podem perder um ano de avaliação na carreira só por terem crias. Não era este governo que pretendia aumentar a natalidade???

Publicado por: galgaveloz às junho 8, 2006 05:04 PM

Aos órgãos representativos dos professores, caberia em primeira-mão, promover as alterações (por demais evidentes) em jeito de pacotes de proposta.
Não durante esta legislatura, se calhar nem durante a anterior, mas talvez numa das outras mais recuadas no tempo.

Publicado por: jgonçalves às junho 8, 2006 09:23 PM

algo tem q mudar na Escola e muito rapidamente... Até posso concordar (e concordo) com o princípio das promoções por avaliação, mas discordo da participação dos pais nesse processo. E até das simples médias de notas... Especialmente ignorando o contexto social e cultural de muitas delas... Mas deve ser possivel encontrar um sistema de incentivos que premeie o mérito e desmotive o demérito. Com esforço e com o concurso dos sindicatos este sisteme deve ser possível de encontrar.

Mas estes não estão demasiados centrados sobre si mesmos para poderem alterar algo de significativo? Os sindicatos portugueses não estão demasiados virados para dentro? Não revelam mais preocupação para com os interesses corporativos da classe do que para a melhoria real do Ensino?

Talvez não... Mas essa é a ideia que deixam passar cá para fora...

Publicado por: Rui Martins às junho 8, 2006 09:41 PM

Na Índia, as vacas são sagradas; na Alemanha, são loucas; em Portugal... são ministras.

Publicado por: Minerva Sofia às junho 8, 2006 10:16 PM

O problema não é a avaliação pelos pais (que vai contar pouco, isto se eles vierem à escola mas serve para desviar a atenção dos media e dos comentadores), não são os 97% de assiduidade (que de tão rídiculo e discriminatório vai acabar por cair) não é o aumento da carga horária do Secundário e do Ensino Especial (apesar de ir diminuir em cerca de 4000 os professores contratados), mas, a meu ver, é criação de uma "aristocracia" de professores (ainda por cima uma "aristocracia falida" pois apesar de ganharem mais vão ser pau para toda a obra) em oposição a uma maioria (os convocados mas não titulares, usando uma terminologia da propria da época futebolistica que se vai iniciar) que não servirá nem para coordenar o que quer que seja (e estamos a falar de docentes com 10, 15, 18 anos de serviço e até mais).

Mais de dois terços dos professores atingirão o topo de uma (meia) carreira aos doze anos e são tratados como uns incapazes até conseguirem dar o salto para a "titularidade"

Vão copiar o modelo das Universidade, que são o mundo mais cão que eu tive ocasião de conhecer (mais até que a política), onde se se pode lixar o parceiro lixa-se, onde se compram lugares e votos, e onde pelos vistos não se formam licenciados de jeito (até vão ter de fazer um exame aos licenciados candidatos a professor...)

Não conseguiram pôr os gestores na escola, mas vão acabar com toda uma estrutura colegial, de parceria, horizontal...

O que está na moda são estrutura hieraquizadas, piramidais, tal qual como as mais vetustas e elefantinas empresas da nossa praça...

Publicado por: andré às junho 9, 2006 02:00 AM

André, os meus aplausos. :) Vejo que leu as 55 páginas. ;)
Professores titulares, só após 18 anos de serviço, e SE couberem na tal quota atribuída a cada escola. Estou a terminar o 15º ano. Pelas minhas contas, e por razões várias, nunca chegarei a titular, a não ser que alguém passe uma rasteira nos mais "antigos" e os faça rebolar pelas escadas. Não passo da "meia-ralé" que tem apenas o epíteto de "professor". Os outros, contratados, que ainda não pertencem ao quadro de escola e que trabalham tanto ou mais que muitos futuros titulares que conheço, irão ser um ZERO, os Intocáveis, a chiclete do ME - perfeitamente dispensáveis, quando conseguirem ficar efectivos, os anos que trabalharam enquanto contratados não vão servir para nada, é como se voltassem a sair da Universidade, com ano probatório e tudo (ah, pois... já fizeram o estágio e passaram por um ano probatório, são profissionalizados há 10, 12, 14 anos... mas isso agora não interessa nada).
Sou absolutamente contra as hierarquias que pretendem criar. A escola deve ser um exemplo de democracia, não de monarquia.
Bem, vou aproveitar a calma dos próximos dois dias para corrigir testes. :)

Publicado por: galgaveloz às junho 9, 2006 04:07 PM

Não sendo professora, mas como cidadã interessada não posso ser alheia ao ensino e concordo muito com alguns dos comemtários.
JGonçalves e Rui Martins, sobretudo, (para leiga, é claro) disseram coisas que fazem reflectir.

Publicado por: Emiéle às junho 9, 2006 06:39 PM

Ainda bem que a reforma já está resolvida, Inês.Por um lado, claro. Mas, será que acredita mesmo que a ministra se está a preocupar com os professores? Ela parece de facto honesta e toca nas feridas, mas...

Publicado por: hammer às junho 9, 2006 09:41 PM

Hammer, sinceramente acho que a ministra está preocupada com a Educação e isso é bom para os professores. Se as ideias que apresenta se concretizarem e se o ministro que vier a seguir não deitar tudo para o lixo, acredito que os professores beneficiam.

Publicado por: Inês às junho 10, 2006 12:32 AM

Rui, o 'frente a frente' na SicNotícias hoje à noite foi esclarecedor : o mais antigo sindicato dos professores, a Fenprof, apresentou um tontinho impreparado para o debate com a ministra. Como um iogurte (há muito)fora de prazo. Será que ainda há quem pague quotas para este sindicato...

Publicado por: Inês às junho 10, 2006 12:48 AM

Já sabe, Inês, que também estou de fora. Mas não estou nada. nada mesmo.
Acredito nesta ministra.
Talvez também não quisesse estar na sala de professores.
E como dizer que a escola é para os alunos, que só um trabalho neles centrado, continuamente avaliado e tantas vezes, tantas reformulado, só um trabalho assim, justifica «ser professor»?
Talvez não quisesse estar na escola. Só talvez. Faz subir a tensão.
Mas não será preciso perguntar aos professores « o que é um professor»?
Lá vou começar o meu dia.
Gostei muito de vir até aqui.
Bom dia também.
De Portugal. E de Camões.
Dos portugueses. A ver se dizemos Camões no sítio certo. Se ao menos não lhe confundimos o século.A ver...
Ou é mesmo o Big Brother a maior escola do país?
Brrrr...

Publicado por: teresa frazão às junho 10, 2006 07:48 AM

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