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agosto 17, 2006
cientificamente reprovado
A consequência mais grave do caso dos exames de Química acabou por ser a fuga dos estudantes para as disciplinas fáceis.
«No ano escolar que terminou havia cinco turmas de Química na nossa escola, explica a Alice. Este ano, sabe quantas turmas vamos ter?! Uma. Com 10 alunos.
Química deixou de ser disciplina obrigatória para alunos que vão seguir Engenharia Química, ou Medicina. Os estudantes preferiram escolher Música, em que a nota mais baixa é 19. »
O ensino Secundário é cada vez mais um corredor para a universidade, sem autonomia própria.
A moda de assassinar disciplinas fundamentais não é de agora. Cérebros pouco iluminados acabaram com o ensino das línguas mortas e vivas no Secundário: Grego e Latim há uns 8 anos, Inglês e Alemão há 2 anos. Não surpreende que a Língua Portuguesa tenha tão maus resultados; falta-lhe a sedimentação que o estudo das línguas do passado e do presente lhe acrescentavam.
Estamos a precisar que a Comunicação Social agarre nesta guerra de destruição massiva. Esclareçam os fundamentalismos, descubram os ayatolas. Olhem cá para dentro.
Publicado por inesf às agosto 17, 2006 10:59 AM
Comentários
O problema é ainda mais grave. Há muito que os alunos fogem de disciplina que exigem esforço para outras em que "novos" professores e currículas não exigem quase nada. É caso de História/ Sociologia etc.
Publicado por: João Norte às agosto 17, 2006 12:42 PM
como se os Media e o exército de estagiários esfaimados e ansiosos que hoje a compoem pudessem sair um milímetro que fosse da cartilha que as redacções (e os seus patrões dos grupos económicos) lhes impõem.. não podem... por isso bins e quejandos terão sempre mais audiência do que estas questões de suprema importância para todos nós...
Publicado por: Rui Martins às agosto 17, 2006 02:12 PM
Isto deixa muito que pensar, Inês.
Será exactamente a questão da "facilidade"? Claro que isso também conta, e decerto que é desmoralizador não ter bons resultados, mas acredito que seja também o modo como a disciplina é dada e tornada ou não interessante.
Não faz sentido que se passe de Química para Música a não ser por esse estímulo da nota!
Penso que o Rui Martins ten razão, mas tu também tens. O certo é que a Comunicação Social já não é o 5º poder, é um dos primeiros, talvez até o Primeiro. E tanto poder só pode fazer mal! Eles podem criar e destruir impérios hoje em dia.
Este teu post é muito interessante e creio que vou reflectir nele lá no Pópulo muito em breve.
Quanto ao poder da Comunicação Social, vou deixar agora um post lá sobre o MEDO, e aí tem sido crucial a sua acção. O modo como tem sido divulgado as acções terroristas torna-as vedetas e dá-lhes o tempo de antena desejado. Isso devia ser repensado.
Publicado por: Emiéle às agosto 18, 2006 08:21 AM
Tão de acordo consigo, Inês, tão de acordo.A ver se me explico melhor quando o Manuel se soltar um bocadinho da Net e eu puder vir por aqui com mais tempo.
Um beijo
Teresa
Fantástico que a sua Mané fosse conhecer os Marias, André e Ana. Até eu comi um doce fantástico. E também o Manuel.
A vida vale. Também e sobretudo pelos afectos.
Publicado por: teresa frazão às agosto 18, 2006 09:53 AM
Teresa, a minha Manel já nos 'pegou' a 'doença' dos Maria. Fazem parte do nosso dia a dia demasiado pequeno. Tudo começou com a genialidade do seu filho, brilhante nas histórias dos seus príncipes. Contagiante na subtileza que acorda gargalhadas.
Conheçê-los foi um inesperado privilégio :))
Publicado por: Inês às agosto 18, 2006 11:11 AM
Emiéle, como diz o João, a fuga para disciplinas 'fáceis', não é culpa dos alunos. Trata-se de um 'truque' inventado por quem pode, para subir as notas de ingresso e conseguir entrar na Universidade. Esse 'desvio' para um atalho rápido e xico-espertismo começou há pelo menos 10 anos. E por 'culpa' dos conselhos directivos que assim garantiam a entrada dos «seus» filhos no ensino superior. Toda a desmoralização, toda a imoralidade começou por aí. Continua por aí, por renovados caminhos secretos...
Publicado por: Inês às agosto 18, 2006 11:37 AM
Ah! Não fazia a menor ideia.
Parecia-me estranho, mas realmente sabendo 'o truque' faz sentido.
A mim o que me está a ralar mais é a ausência de um trabalho regular para os nossos recèm-formados que não conseguem organizar um plano de vida como deve ser. É angustiante.
Publicado por: Emiéle às agosto 18, 2006 01:17 PM
não se admirem pois, que ouvir e falar a própria língua faça doer...
Publicado por: hammer às agosto 20, 2006 01:07 PM
