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outubro 03, 2006

levantado do chão

Quatro da tarde. Subo a Rua de Stº António encostadinha à esquerda para conseguir passar a zona da esplanada da Gardy onde o caminho se estreita e os transeúntes se entopem. Um homem apressa-se e ajoelha-se aos meus pés. Apanha do chão um cigarro, um resto de cigarro que alguém não fumou até ao fim.

Que nojo!
Que triste!

Sigo, pensando no homem, vinte e poucos anos, alto e ágil. Alguém que não tem dinheiro nem para o que lhe é essencial. Podia ter um emprego, se o houvesse! Mas não há. Se houvesse, aquele jovem forte e bem posto nunca se abaixaria por tão pouco.

Naquele chão onde os caninos dejectam sob o olhar complacente dos donos. Que raiva!

Publicado por inesf às outubro 3, 2006 09:36 AM

Comentários

As voltas que a vida dá. Há muitos, muitos anos, havia também quem andasse a apanhar as beatas do chão, e depois desfazia-as e com um maço de papel de mortalha, refazia os cigarros que fumava. Depois do 25 de Abril deixei de ver essa imagem, mas pelo que contas, voltou...

Publicado por: Emiéle às outubro 3, 2006 09:52 PM

voltou, que eu vi. Deixou-me a pensar nos alguns jovens sem emprego nem trabalho, nem futuro, que foram meus alunos. Nos outros alguns que se sentaram nas mesmas cadeiras e hoje são deputados, presidentes de Câmara, directores disto, daquilo. Já viste o que é a sorte?

Publicado por: Inês às outubro 3, 2006 10:25 PM

Um beijo, Inês, cúmplice destes caminhos.
Mistura-se a compaixão

Publicado por: teresa frazão às outubro 4, 2006 09:56 AM

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