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novembro 17, 2006

obsessão

Pergunta inquietante, ou mistérios que ultrapassam todas as sabedorias

Porquê o meu pai?

A pergunta atormenta N, enquanto as mulheres rebentam todas as conversas para falar da avó. Vão anos, tantos que nem se consegue contá-los, em que o único tema das conversas é a Avó. Como se nada mais interessasse as duas senão o que fazer hoje, amanhã, depois… e os assuntos do dinheiro que vai acabar. e a cadeira de rodas que não se compra. e o terreno que não se vende, porque H acha que vale pouco. E a casa que dá despesa e ali está inútil…

E todas as conversas a ir parar ao mesmo esgoto de agonia. E parece não existir mais ninguém, mais nada, para as duas mulheres. Nem filhas, nem filhos, nem vida. Só aquele sufoco da Mãe que manda, pede, exige, contraria, ilude, desilude. Louca ou simples sobrevivente.

Porque morreu o meu pai que era útil?

Publicado por inesf às novembro 17, 2006 11:05 AM

Comentários

Muitas são as vezes que solta essa pergunta para a qual não lhe sei dar resposta.
Também não consigo tirar-lhe essa agonia pois também a suporto há 9 anos.
Porquê agora que estava uma pessoa mais dócil com os filhos e com a própria vida.
Logo agora que estava a chegar a 1ª neta que acabou por nunca conhecer.
Não sei
Uns partem, outros permanecem, outros chegam.
Dois personalidades muito marcantes, cada um à sua maneira e que tanta falta nos fazem.

E fica um vazio.
CG

Publicado por: companheira às novembro 17, 2006 03:40 PM

a familia doente, como que num vácuo.
ninguém respira, ninguém vive, ninguém fala a não ser de e sobre o mesmo assunto; uma areia na engrenagem de cada ramo.
assustador.

Publicado por: M&M às novembro 17, 2006 04:13 PM

M&M,

São dores difíceis de suportar.

Umas pela ausência, outras pela impotência.

Mas falar delas,não implica estar doente, muito menos assustador.

Temos que aprender a viver com estas dores e de forma menos intensa, para não nos auto destruirmo.

Falar delas, partilharmos, alivia a dor, porque só quem experimenta de perto é que sabe...


Vamos viver como uma força que ninguém pode parar.
Já diz a canção

Um abraço muito muito forte para a Teacher.
Jinhos fofos para a M&M


CG

Publicado por: cristina às novembro 17, 2006 04:44 PM

É terrível sempre.
E a pergunta sem resposta.
Porque se morre? Seja quem fôr.
Porquê? Porquê?
{Ando particulamente sensível a esta questão, do absurdo destas perdas, destes «porquês», porque no espaço de pouco mais de um mês desapareceram-me para sempre 3 pessoas muito próximas, uma outra não deve passar do Natal nem chegar ao ano que vem, e uma quase-irmã esteve em risco de vida, e ainda não está bem.
Um balanço sinistro.]
Vou-me «anestesiando» com a brincadeira do blog, para seguir em frente e cuidar dos que estão vivos e precisam de mim...

Publicado por: Emiéle às novembro 17, 2006 11:09 PM

Enquanto li o aviso para esperar a publicação do comentário, arrependi-me um pouco deste desabafo que não é o meu género. Mas desta vez o comentário entrou...
É que me tocou muito o teu post. Um abraço Inês.

Publicado por: Emiéle às novembro 17, 2006 11:11 PM

Ao contrário do Homem, a Vida não escolhe.

Gostava de te injectar uma dose cavalar de esperança. Fazia uma transfusão. Não mirres: nós (todos) precisamos de ti.

Publicado por: Paulo às novembro 18, 2006 02:24 AM

Cris, é claro que concordo em absoluto contigo.
Foi uma espécie de desabafo que, como diz a Emiele, desta vez entrou e cá ficou. Dá pena e algum medo a situação, sabes. Mas respeito imenso quem passa, mais de perto, diariamente por ela.
Beijinhos grandes para ti.

Publicado por: M&M às novembro 18, 2006 02:52 PM

e só me refiro às que chamas "dores da impotência", a outra grande dor, não me referi a ela no meu comentário, como é óbvio.

Publicado por: M&M às novembro 18, 2006 02:55 PM

Há mistérios sem resposta. Há dores que não se desvanecem. Há sentimentos de impotência e frustração que (quase) nos vencem. Mas continuamos vivos... E temos que viver um dia atrás do outro, tirar forças do fundo das nossas fraquezas, transformar a impotência e a frustração numa raiva que "vira" força e nos ajuda a ir em frente.
Um dia de cada vez... neste Novembro pesado após um Outubro de chumbo fica uma promessa de Primavera nos olhos e no riso da L. Temos a L., meninos; não se esqueçam. Beijos.

Publicado por: G. às novembro 18, 2006 06:26 PM

Eu percebi o que querias dizer M&M.


Cristina

Publicado por: cristina às novembro 19, 2006 01:55 PM

nem sempre as coisas que sucedem, sucedem por uma ra~zoa... simplesmente acontecem. e a nós compete apenas... aceitá-las e enquadrar.

é a vida, suponho eu...

Publicado por: Rui Martins às novembro 19, 2006 05:27 PM

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