« dia de João de Deus, | Entrada | up hill »

março 09, 2007

mulheres

"Sabes que já sou avó? Duas vezes. Têm uma diferença de seis dias." Céus, parece que a não via há séculos! "A minha D ficou desempregada. Diziam que era muito dinâmica, muito competente. Ficou grávida e não lhe renovaram o contrato." Mas a Lena puxa da carteira e mostra-me as fotografias das netas, interrompendo por momentos o trabalho que escreve naquela sala de professores.

"Então que fazes por aqui, como vai a reforma?"
"Tudo bem, a tua filha?" Gaby despeja "trabalho escravo. está empregada em Évora. pagaram-lhe uma vez o bónus. é por objectivos. pagam bónus, para se esforçarem mais. ela não pára de se esforçar. mas nunca mais pagaram"
Não foi isto que sonhámos para as nossas filhas!

Correu bem a festa, disse-lhe. Mas Fernando tinha uma dor no peito, uma amargura " sabes, sinto que aquilo que consigo pagar à Ana é tão ínfimo, comparado com o que ela faz pelos moços. Como se a estivesse a explorar, entendes?"

Mas Ana, a professora que ficou desempregada, continuou a trabalhar com o Atelier de Teatro, como fazia no ano passado. O entusiasmo e a dedicação da sua juventude não têm preço. Nem tem importância para o ministério da educação, em minúsculas.

No Dia Internacional da Mulher, foi isto que ouvi sobre a realidade nua e crua da situação das mulheres jovens em Portugal. O resto foram peanuts na comunicação social. Com papas e bolos...

Publicado por inesf às março 9, 2007 02:51 PM

Trackback pings

TrackBack URL para esta entrada:
http://teacher.querido.net/privado/tkztracker.cgi/117154

Comentários

É a realidade que se vive, sim. Uma esperança tão pálida, tão pálida, que quase nem chega a ser bem esperança. A frase tão repetida «isto tem de mudar», e muitas vezes o humor negro «tem, tem, que pior já não vejo como...» Criamos os filhos e deixamos-lhe um futuro tão difícil. E o que me custa ouvir com um encolher de ombros e um expressão enfadada «isso são todos» como se fosse uma justificação.
Inês vinha também agradecer a visita. O teu desejo segredado anda longe da realização. Para o mês que vem entramos até de novo numa fase (nova??! velha!) de retomar a busca que tinha sido provisóriamente suspensa, com uma provisória solução... o ano acaba e 'a solução' também.

Publicado por: Emiéle às março 10, 2007 12:12 PM

O presente é que é negro, tão negro que nem deixa entrever o futuro.

Publicado por: Inês às março 10, 2007 09:53 PM

Conheço a história que contam aqui... Vejo o Fernando com um nó na garganta sempre que me fala em dinheiro... Fernando, está dificil é verdade, mas acreditarem em mim, deixarem-me trabalhar ao sabor do vento, deixarem-me aprender com os meus alunos, deixarem-me crescer com eles fazendo o que gosto não tem preço!!!

Sei que está dificil, sei que não vivo do ar, mas sem luta e sem acreditar nada se faz e nada anda para a frente!!!

beijinho

(a prof. Ana)

Publicado por: Ana às julho 7, 2007 01:13 AM

Comente




Recordar-me?