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abril 10, 2007
Abril - Romeu & Julieta 2
O espectáculo que não vimos por causa de um minuto de silêncio
(R)evolução , um post com 3 anos, do Blog um bigo meu conta como foi em
6 de junho de 1968.
no coliseu dos recreios, a companhia de ballet XXe siècle apresentava o seu Romeu e Julieta. No fim do espectáculo, "o Coliseu vem abaixo. Os aplausos não cessam. (...) O público quer Béjart. Este aparece. Faz um sinal, levanta os braços, imperioso. Silêncio total. Com uma voz que se ouve em toda a sala: "Robert Kennedy foi assassinado... foi vítima da violência e do fascismo... (...) Como todos os que estão aqui esta noite, somos contra as ditaduras... peço um minuto de silêncio" (...) Durante 20 minutos a assistência aplaude freneticamente.", recorda o Diário de Lisboa, já em 1974. Umas horas depois, a PIDE ia buscar Béjart ao hotel. Meteu-o num carro blindado e deixou-o num pequeno posto fronteiriço espanhol, numa estrada deserta, às três da manhã. O caso foi abafado.
A blogosfera é muito menos volátil do que julgamos.
Publicado por inesf às 06:14 PM | Comentários (7) | TrackBack
Abril - Romeu & Julieta
Fomos a Lisboa munidos de bilhete para ver Maurice Béjard. Junho de 68.
Não houve espectáculo. Lembro-me vagamente, que os artistas não chegaram a sair do aeroporto. O espectáculo fora cancelado proibido.
Aqui está a confirmação possível:
«9/6/68. Expulsão do bailarino e coreógrafo francês Maurice Béjard. Publicar, na íntegra, obrigatoriamente, a nota do SNI sobre o caso Béjard. Não fazer comentários. Nota da Gulbenkian pode sair, mas sem comentários - CORTAR ter sido suspensa a recepção que a Gulbenkian oferecia, no Castelo de S. Jorge, aos artistas da Companhia de Béjard e do Royal Ballet. »
Cópia de Doc Log - Salazar e os coronéis , «Retirado de Os Segredos da Censura, por César Príncipe, ed. Caminho, 1979»
Publicado por inesf às 10:35 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 09, 2007
Abril - BBC
A censura e a restrição das liberdades civis praticadas pelo regime de António de Oliveira Salazar acabaram por contribuir para o crescendo de popularidade das transmissões em português da BBC.
extracto da biografia Fernando Pessa 1902 - 2002 in RTP
Publicado por inesf às 11:45 PM | Comentários (0) | TrackBack
Abril - a 20 escudos
«...a cumplicidade por inacção ou por omissão é quase tão grave como a dos cúmplices directos. Esta questão colocou-se-nos claramente, aos músicos resistentes ao fascismo, logo a seguir à breve "primavera marcelista" de 70-71, quando o governo passou a impor a censura prévia aos discos de canções (que até então só eram censurados após a edição, tal como os livros e outras publicações não periódicas). Que fazer?, discutíamos. O meu segundo álbum de canções, de parceria com o escritor Álvaro Guerra, Crónica, de 1972, nunca foi publicado porque eu não admiti os cortes que a censura lhe fez. E, como sabíamos "como se faz um disco", decidimos passar a fazer (também) discos clandestinos ou marginais. Foi o caso da Ronda do Soldadinho , de que conseguimos meter 2 ou 3 mil exemplares em Portugal, que se venderam a 20 escudos por baixo das mesas de café. Assim se tentou, mal que bem, assegurar a função social das canções em disco.»
excerto de O SILÊNCIO ENSURDECEDOR DOS
JORNALISTAS PORTUGUESES de José Mário Branco
(sublinhados meus)
Publicado por inesf às 05:09 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 08, 2007
um doce

Sei um ninho
e o ninho tem um ovo
e o ovo redondinho
tem lá dentro um passarinho novo
Miguel Torga
Publicado por inesf às 10:53 PM | Comentários (4) | TrackBack
abril 06, 2007
É proibido rir?! outra vez?
O Gato Fedorento fez um cartaz, para a gente inteligente rir se lhe apetecesse. A Câmara Municipal de Lisboa não aprovou o cartaz. Retire-se! nem mais um dia!
Censura ao estilo do post abaixo. Mas aí estávamos em 1950!
Salazar não tinha desaparecido?!!! Serão clones?!
Publicado por inesf às 01:58 PM | Comentários (1) | TrackBack
abril 04, 2007
Abril - censura
O teatro popular, ou revista à portuguesa, era rigorosamente censurado. O povo não tinha o direito de rir ou fazer rir…
Então o texto do espectáculo, por menor que fosse o público destinatário, era previamente enviado à Câmara Municipal, que aprovando-o o remetia ao Governo Civil, que aprovando-o o enviava à Presidência do Conselho para censura.
Os cortes da Censura truncavam os textos até os deixarem incompreensíveis, síncopados ou mortos!
Publicado por inesf às 04:58 PM | Comentários (4) | TrackBack
Abril - lembranças mil (2)
As professoras eram especialmente maltratadas pelo regime de Salazar.
Ainda aluna no Liceu de Faro, já sabia que, por mais independente e competente que fosse, aquela professora e Directora de Ciclo não podia sair do país sem autorização do homem com quem tinha estado casada. Porque as amarras do casamento não eram desfeitas pelo divórcio.
Anos depois, conheci uma professora de História fantástica. Os alunos adoravam as suas aulas, os colegas não dispensavam a alegria da sua companhia. E aquela imensa sabedoria. O Director tinha orgulho na professora… e no final do ano não lhe renovou o contacto. RUA! Aquela mulher, solteira, namorava com um homem divorciado, preso aos prazos da lei do divórcio. Por andar com ele, aquela pecadora pagava o preço elevado de ser expulsa do ensino!
Publicado por inesf às 10:35 AM | Comentários (7) | TrackBack
abril 03, 2007
Abril - desigualdade
Contrariamente ao que se passava lá fora, cá dentro o casamento deixou de ser baseado na igualdade. Foi retirada a declaração do artigo 39º da Lei da Família.
‘Também, em caso de desentendimento entre os cônjuges, a mulher não pode recusar-se a acompanhar o marido ao estrangeiro (o que lhe fora concedido pelo Código de 1867) e o marido continua a poder exigir a entrega judicial da mulher, disposição que foi restabelecida pelo Código do Processo Civil de 1939, mantido no de 1961 e neste projecto, o que despertou o protesto de vários juristas.Por outro lado, a Concordata de 1940, que tornava indissolúveis os casamentos celebrados canonicamente, esclarece a Drª Elina Guimarães, criou uma situação presentemente agravada, pois pelo novo código qualquer pessoa abandonada tem de aguardar 3 anos (parte final do artigo 1.778º) antes de se separar e mais 5 para transformar a separação em divórcio.
O divórcio por mútuo consentimento deixa de existir. A separação por mútuo consentimento só é possível a pessoas casadas há mais de 5 anos, mas o divórcio só será concedido ao fim de mais 5 anos.'
in Vértice, Julho 1967, A condição feminina e seus problemas , Dulce Rebelo
Publicado por inesf às 10:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
Abril - visado pela comissão de censura
Tudo o que era publicado em Portugal passava previamente pela Comissão de Censura. Para que nada pudesse perturbar o regime.
Em boa verdade, os portugueses tinham que ser ignorantes da realidade nacional. Era a verdade segundo Salazar.
O país era uma cela seca!
Publicado por inesf às 10:17 AM | Comentários (1) | TrackBack
abril 02, 2007
Abril - a lei da rolha
1968 - Os leitores da única revista semanal queixavam-se, em Cartas ao Director, da fraca informação nacional:
Concordo plenamente que é baixa a qualidade de «A Semana Nacional». Tão fraquinha, tão sem interesse, em profundo contraste com «A Semana Internacional» (F. C. V.)
… opino que exista antecedendo a «Semana Nacional», um «Comentário da Semana» mas de conteúdo nacional. A «Semana Nacional» é, talvez, a rubrica mais fraca. (J. N. R. E.)
A informação, segundo Salazar, devia ser dada aos portugueses com conta, peso e medida. 'Sabereis apenas o que seja importante!'
Publicado por inesf às 03:21 PM | Comentários (0) | TrackBack
Abril - lembranças mil
A ditadura era uma seca!
Quando eu nasci já Salazar governava há vinte anos. O país era uma coisa muito sólida feita de História e Geografia. A História era dos reis e dos heróis. A Geografia era do Galaico-Duriense, Lusitano e Castelhano; dos rios, Tejo, Douro e Guadiana, dos afluentes da margem direita e da margem esquerda.
Fiz o exame da 4ª classe. Fiz o 7º ano do liceu. Migrei para Lisboa, Faculdade de Letras, 1961-62.
Por essa altura o país era do Medo. Havia a guerra colonial. A verdade é só uma.Rádio Moscovo não fala verdade afiançava Salazar na TV. A voz esganiçada e dengosa desagradava. Portugal vivia nas brumas da memória. Numa irrealidade perturbadora. Eu tinha 20 anos.
Publicado por inesf às 11:49 AM | Comentários (0) | TrackBack
